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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Memoria

         Estava ele procurando alguma coisa para ler, precisava de algo para se inspirar, algo que lhe ajudasse a ter alguma idéia do que escrever. Seu editor estava ligando todos os dias, pedia alguma notícia, ele já estava ficando louco (pelo menos isso era o que ele dizia).
         Não conseguia achar nada interessante para ler, nada que lhe chamasse atenção. Foi quando ele olhou para o fundo da sua última prateleira, há muito tempo não mexia naqueles livros, e viu aquele livro “”.
         Naquele momento uma avalanche de lembranças, de sensações, de sentimentos, coisas que nem ele sabia que existiam dentro dele. Ficou sentado no chão em frente à estante, com aquele livro na mão sem nenhum movimento, apenas lembrando.
         Lembrando de um tempo onde não havia cobranças, não havia prazos, não havia nada que pudesse atrapalhar a sua felicidade. E com isso ele se deu conta que há muito tempo ele não sabia qual era o significado dessa palavra (o significado ele sabia, mas não sentia).
         Nisso ele também lembrou que naquele tempo, felicidade para ele tinha nome, e esse nome era Ana. Aquela que lhe dera o livro, esse mesmo livro que estava na sua mão. Seu amor, sua vida, sua Ana.
         Ele abriu o livro e viu aquela linda letra, quase não conseguiu ler a dedicatória:
Para o grande amor da minha vida.
Da sempre sua.
Ana.
        Aquelas linhas atingiram em cheio o seu coração, e toda a dor que estava guardada no fundo de sua alma foi extravasada, e (como há muito tempo não fazia) chorou.
         Suas lágrimas escorreram pelo rosto e com elas as lembranças. Como ele podia ter feito aquilo? Logo com ela. Sua Ana.
         Parecia que podia até ouvir a voz dela em seu último encontro (antes dela saber da verdade).
        - Te amo. E te amarei até o último dos meus dias.
        E no dia seguinte, quando foi a casa dela, recebeu a notícia de sua mãe.
        - Você matou a minha filha seu desgraçado. – e ela chorou.
        Todas essas lembranças vieram acompanhadas de lágrimas, uma noite recheada de muitas lágrimas.
        Quando o dia raiou suas lágrimas secaram e ele percebeu que finalmente tinha sobre o que escrever.

Rio de Janeiro 4 de Agosto de 2009  

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