A lua brilhava em todo o seu esplendor naquela noite quente de verão. Gabriel estava parado no terraço de seu prédio, sem camisa, sentindo a brisa fresca bater em seu corpo - apenas assim ele conseguia acalmar a fera dentro dele.
De repente uma mudança na direção do vento fez ele se agitar. Aquele cheiro familiar que ele conseguiria reconhecer em qualquer lugar. Era ela, com seu perfume que era uma mistura perfeita de sândalo e jasmim, porem hoje tinha algo diferente.
Medo. Ele podia sentir o cheiro do medo que exalava dela, o que será que estaria conhecendo. Ele focou sua respiração e calculou que ela estava a duas ruas de distancia de onde ela estava. Gabriel precisava saber o que estava acontecendo e com isso correu pelos terraços dos prédios vizinhos até chegar à rua onde ela estava.
Foi quando ele a avistou, linda com seus cabelos dourados, sua pele branca com as maças do rosto rosadas pelo esforço de uma caminhada apressada e pelo medo. Porem ela não estava sozinha na rua, ele viu o porquê de seu medo. Um homem a estava seguindo pelas sombras.
O ódio cresceu no peito de Gabriel, ele sentiu a fera se agitando dentro dele, a fera queria sair. Estava conseguindo se controlar para não pular do prédio e rasgar a garganta do vagabundo que estava tentando fazer mal aquela jovem.
Foi quando ele sentiu aquele cheiro podre, mais precisamente ovo podre – enxofre. Ele forçou a visão e viu no canto mais escuro da rua – um pouco longe do sem-teto e da jovem – o vetor do cheiro de podridão; um cão infernal. Gabriel percebeu que era a besta que estava manipulando o sem-teto.
Nessa hora ele não conseguiu mais se controlar, a fera assumiu o controle. Ele sentiu o seu corpo ferver e todos os músculos do seu corpo tremer, era como se o seu corpo estivesse usando cada gota de energia que ele possuía. Foi quando ele atacou, saltou do prédio caindo em cima do cão infernal com toda a força. O monstro conseguiu absorver a maior parte do impacto, mas mesmo assim parecia que tinha quebrado uma das patas traseiras.
O bicho rolou para longe de Gabriel, ele assumiu uma posição de ataque. O monstro estava pronto para atacar, Gabriel também se preparou puxando sua faca de prata que brilhou quando foi iluminada pelo luar. Uma pontada de medo passou pelos olhos do cão, mas esse medo passou logo e o bicho atacou.
O ataque foi com tanta fúria e rapidez que se alguém estivesse observando o combate não conseguiria vislumbrar os movimentos dos dois combatentes. O cão infernal atacou com uma mordida certeira no pescoço do inimigo, ele só não contava que Gabriel seria rápido o suficiente para usar o braço esquerdo para se defender da mordida destruidora.
No mesmo momento que o cão mordia seu braço, Gabriel aproveitou e atacou com sua faca o coração da besta. O monstro explodiu e evaporou em uma nuvem de cinzas e fumaça com cheiro de enxofre.
Assim que a luta teve fim o sem-teto que estava perseguindo a jovem desmaiou como se estivesse saindo de um transe. Quando a jovem percebeu o que seu perseguidor não estava mais no seu encalço, começou a correr sem olhar pra trás e sem ver seu salvador que estava nas sombras. Gabriel ficou parado na rua com sua faca suja de sangue de demônio e um corte profundo no braço que já estava começando a cicatrizar.
No final de tudo ele sentiu que essa luta tinha servido para acalmar um pouco a fera dentro dele. Pelo menos por enquanto.
Rio de Janeiro 01/10/2010

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